Uma festa de desconhecidos, essencialmente de garotos, na efervescência estúpida da adolescência (se bem que devo estar eu também numa efervescência não-tão-estúpida de pós-adolescência, que pode até ser tida por alguns como patologia, ou não). Até certa altura, somente uma menina bonita, bem à vontade; essencialmente somente seu rosto chamava bastante atenção, límpido, alegre, provocante, "vermelho" (como seus cabelos ruivos), boca larga; mas seu corpo também não ficava por menos. Só que alegre e solta demais, perambulava feito mariposa procurando luz, e talvez o único jeito de se fazer notável por ela seria segurando-a pelo braço e lhe dizendo algo. Não pretendia fazê-lo. Então surgiu na festa uma negra, ou quase negra, perfeita, jovial, corpo firme e curvas impecáveis, com trajes mínimos e lindos, e provocantes, pretos como ela: uma saia mais ou menos curta, de tecido leve, e um corpete que nos embriagava com a vista de sua barriga. Essa um tanto mais contida que a primeira: era possível se concentrar nela, e observá-la, parada, do outro lado da pequena sala onde uns tantos dançavam. Acesa pela minha quase involuntária provocação, veio até mim e, bem próxima, esperou que eu consumasse meu flerte. Uma dança, foi apenas para isso que a convidei; faria os outros sabores virem depois, como conseqüência.
Beijos, beijos e beijos, somente nisso pensam estes jovens, e o praticam de forma tão insípida, quase apenas "técnica" - oh, como ele beija bem! - e se esquecem dos imprescindíveis temperos que acrescentam sabor a este precioso ato: a dança, bem próxima, bem provocante; os toques, as carícias; os beijos passeando pelo pescoço e pelo rosto, até ameaçar pelos lábios, e apenas ameaçar; a respiração ofegante sentida no pescoço; as mãos suaves passeando pelas costas, pela cintura, descendo até os volumes mais provocantes, e até onde os dedos pudessem alcançar - tudo, como se quisesse memorizar o corpo para uma posterior escultura -; e, finalmente, uma lenta consumação nos lábios, na boca, na língua, no céu, na saliva, e de novo no pescoço, atrás da orelha, no decote da camisa, até que o chão deixasse de existir, até que o sangue fluísse flamejante e agressivo, até que o peito queimasse um inferno inteiro.
Exitou um pouco, mas consegui convencê-la, dizendo não ser necessário saber dançar, era apenas me acompanhar, e sentir. E sentindo, passamos por todos os temperos que comentei acima, até as labaredas em nossos corpos apagarem dali todo o mundo que estava à nossa volta, todo o público que devia agora assistir embasbacado a tal espetáculo. Ela, envolvida por mim em todos os lados, e pela parede em apenas uma lado; eu apertava-a contra mim com força, beijando-a ensandecido, levantando abusivamente sua perna para insinuar o que queria (ou o que queríamos), e cheguei a levantar as duas, e suspendê-la no ar, pra que se sentisse totalmente invadida; nossas salivas se espalhavam abundantes desde o pescoço até o mais íntimo nossas bocas. Não havia mais volta, e o que tínhamos ali em público não seria o suficiente: assim, ela, com os olhos vermelhos, endiabrados, exigiu um banheiro, sem se preocupar com toda a festa que fariam por nos verem entrar. Passou onde estava sua bolsa pra pegar a proteção que sabia que eu não tinha, e a colocou dentro da calcinha, como um brinde secreto.
Na precária privacidade do banheiro a Loucura não teria qualquer limite: arranquei abruptamente a calcinha - também negra - sob sua saia, e assim pude estimulá-la mais diretamente, enquanto minha língua passeave pelo tórax, pelos seios. Tirei ansioso seu corpete - uma tarefa complicada demais para um miserável sedento, mas fazer o quê? - e enfim pude lambuzar por completo seu corpo: pescoço, ombros, braços, seios, mamilos, mamilos, mamilos, mamilos, barriga, umbigo, o sagrado caminho abaixo do umbigo, onde me detive um pouco. Já deitada sobre o chão branco e frio, arranquei-lhe a saia que permanecera esquecida em sua cintura, lambuzei e mordi suas coxas macias, e finalmente mergulhei no seu sabor mais íntimo. Tremia minha língua no núcleo externo de seu prazer, e às vezes passeava com ela de dentro - do mais profundo que podia alcançar - pra fora; e minhas mãos ora apertavam-lhe as coxas, a bunda, ora apertavam-lhe os seios. Ela contorcia todo o corpo, alucinada, urrando. Eu notava às vezes o alvoroço do outro lado da porta, mas a maior parte do tempo não lembrava disso, e ela estava completamente alienada do mundo; eles teriam, coitados, que apelar pro banheiro de serviço. Pra consumar mais rapidamente seu gozo, vendo seu interior absurdamente e deliciosamente expandido - podia-se ver, sem auxílio dos dedos, uma abertura, uma entrada para uma caverna escura e úmida, clamando para ser preenchida -, começei a usar os dedos pra auxiliar o trabalho: língua vibrante por fora, e dedos inquietos por dentro, a princípio dois, depois três, desvendando todos os segredos molhados daquela... menina. Veio o grito, filho do gozo, e espirrou aquela deliciosa secreção de seu interior, nos meus dedos e fora, e recolhi cuidadosamente com minha boca, para sentir o derradeiro sabor, e engolir o único fruto que esse paixão poderia ter. Após o demorado ápice da mulata brasil, resolvi cuidar de mim: catei o preservativo perdido junto com sua calcinha e vesti meu aparelho, levantei a louca e a preenchi com o órgão convencional, nós dois contra a parede, suas pernas suspensas, ela ainda expandida e úmida; como é embriagante assim, sem aperto, sem obstrução: um caminho livre, cremoso, para o prazer. Voltamos a deitar, apertei-a com força contra mim, pra que nos sentíssemos um só, beijava-lhe doido a boca, o pescoço, mordia sua orelha, mordia-lhe os seios, chupava os centros destes, meu quadril trabalhava dentro dela ora com cuidado, sabendo dos movimentos que mais a acendiam, ora quase automático; e tal era o fogo que seu segundo gozo veio sem demora, acompanhando o meu; contrações agressivas em nossos corpos, um choque elétrico que senti desde meu cérebro, descendo pela espinha, até meus membros, formigando; meus urros, caninos, expulsavam os demônios do meu peito, muitos e muitos urros e gritos - síncronos com os dela -, tão demorados foram os espasmos; seu líquido mais uma vez expelido nas contrações, e pude senti-lo até nos meus pêlos. Morremos. Beijamo-nos um pouco mais; não queriamos sair dali: uma algazarra do outro lado; que cara teríamos pra abrir a porta? (Ela inclusive tendo que tomar bastante cuidado com a saia, já que a calcinha, como costumava ser, não existia mais.)